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"Afinal, não é melhor seguir para a próxima vida com o coração leve?"

"Embora a vida seja passageira, os laços permanecem."


Quando escolhi "A Misteriosa Confeitaria da Meia-Noite", acreditei que estava nas mãos com um livro de mistério ou suspense. O tema do livro me surpreendeu e até me decepcionou, de início.

Não sabia se tinha clima para ler um romance sobre vida após a morte até o fim.

Embora tenha vindo de duas histórias coreanas que trataram temas bem pesados com muita leveza, tinha quase certeza que seria impossível fazer o mesmo com um tópico tão pesado quanto esse.

Não vou te dizer de cara minha opinião, não, senhor!

Trate de continuar lendo!



"Como é possível conhecer melhor alguém que já se foi?"


Essa não era bem o resumo da vida de Yeonhwa. Tendo perdido os pais cedo, por conta de um acidente de trânsito e, repentinamente, também a avó que a criou, sua vida era bem vazia e solitária. Com exceção da presença forte e constante de Iryeong, sua melhor amiga, ela não tinha muitos companheiros, nem uma perspectiva de vida.

Assim, quando descobre que sua única herança com a partida de sua avó é uma confeitaria quase falida, ela entra em pânico! Para piorar, a confeitaria não era um bem fácil de vender e a avó deixara claro que ela devia administrá-la por, pelo menos, um mês.

Em pânico, Yeonhwa resolve simplesmente obedecer o testamento da avó, sem saber que a vida na confeitaria a mudaria para sempre.


***** ATENÇÃO: ALERTA DE SPOILER *****


"Hwawoldang é um lugar onde os mortos são confortados pela última vez."


Logo em sua primeira noite, Yeonhwa descobre que o grande motivo de estar à beira da falência é que Hwawoldang tem uma clientela composta basicamente de pessoas mortas que podem pagar apenas com memórias e bens aos quais se apegaram em vida.

(É óbvio que tem alguma forma de retribuição, mas aí só você mesmo lendo para descobrir!)

Apesar de achar tudo aquilo uma grande loucura, a verdade é que ela tem um forte apego à confeitaria onde passava seus dias com a avó, uma enorme curiosidade para saber o que mais foi escondido dela a vida toda e, acima de tudo, ela acaba descobrindo que gosta de ajudar aquelas almas a fazerem uma passagem mais feliz e pacífica.

Não vou falar de todas as histórias, pois são muitas e sei que algumas vão bater de forma diferente em cada pessoa. Porém, três delas capturaram demais o meu coração:


"Assim como ela havia passado a vida escondendo seus sentimentos, a filha também havia crescido silenciando o que queria dizer."


A primeira história foi a que mais me impactou e, de certa forma, ativou em mim um "modo luto" que eu nem sabia que ainda havia dentro de mim.

No Natal passado se completaram oito anos desde a morte da minha mãe. A saudade, às vezes, até me sufoca de tão doída, embora eu não costume assumir isso para ninguém. Aos poucos, minha dor emocional foi se transferindo para meu corpo e tem dias em que preciso tomar remédio só pra conseguir sair da cama.

Quando li a história do primeiro doce, fiquei alguns dias sem continuar a leitura, meditando e meio que sofrendo em silêncio. Ela fala do amor de Heesuk pela filha e de como doeu o momento em que percebeu que, embora tivesse passado uma vida se sacrificando para fazer sua filha feliz, somente às vésperas do casamento dela percebeu que não a conhecia de verdade!

O sentimento de tentar acertar fez com que mudasse muito de seu comportamento e, no final, acabou por colocar sua vida em risco no desespero em não deixar que nada atrapalhasse o casamento da filha.

Acho que todas as mães passam por esse momento de estranhamento, mais cedo ou mais tarde, e me pus a pensar em todas as vezes que fiz minha mãe passar por esse tipo de experiência...

Hoje, quando olho para trás, acho até graça; mas como é difícil a vida das mães!

Ao mesmo tempo, também sinto que a conheci bem menos do que desejava.


"Às vezes, a espera é a forma mais completa de amar."


A segunda história que mexeu mais comigo foi a de duas amigas, Jeongmin e Sumin, que eram artistas plásticas e dividiam um apartamento. As duas eram professoras da prefeitura, ainda estavam concluindo a faculdade e viviam apertadas juntando dinheiro para apostarem todas as suas fichas na realização de uma exposição com o trabalho das duas.

Bem, Jeongmin era responsável por amarrar bem a bolsa de dinheiro, enquanto Sumin vivia lamentando o quanto precisava abrir mão mesmo que trabalhassem tanto.

Elas estão com as contas todas no limite quando Sumin passa mal e é internada, ao mesmo tempo em que a galeria em que vão expor liga para avisar que haverá um gasto extra.

Parece uma trama boba, mas, quando Yeonhwa vai à exposição a fim de entregar os doces, percebe que a amiga que morreu abriu mão de reencarnar somente para acompanhar a vida da amiga e saber se ela seria capaz de seguir em frente e realizar o sonho delas.

Se isso não é amor, sinceramente, não sei o que é...


"A felicidade se revela com mais clareza quando não é vivida sozinha, mas compartilhada."


A última história que quero comentar já começa me derretendo porque se trata de uma criança e, meu Deus!, não posso pensar em nada mais triste do que a morte de uma criança. É como se morresse toda a esperança que temos no coração.

Jihwan ficou feliz quando o pai se casou novamente e, além de uma nova mãe, ele ganhou também uma nuná, uma irmã mais velha. Seus amigos viviam falando de seus irmãos e ele sempre se sentia muito sozinho no final do dia quando todos iam para casa se reunir com a família.

Sua nuná, porém, era muito calada e não parecia muito feliz com a responsabilidade de cuidar de um menino pequeno. Por muitos meses, a relação entre eles era meramente cordial e ele se sentia até um pouco culpado mesmo sem entender o motivo de sua aparente irritação com ele.

Foram encontrar uma linguagem em comum com o videogame. Jihwan sempre quisera um e a irmã deixou que ele se divertisse tentando derrotar o vilão final que nem ela sabia como ultrapassar.

Essa angústia infantil lembrou muito minha própria vivência com meus irmãos mais velhos e achei a coisa mais doce a inocência dele em fazer de tudo para agradar.


"A mágoa que sufoca o peito de quem parte é levada por Deus no momento da morte. (...)

Se os mortos já perdoaram, e tudo o que resta para os vivos é a saudade, então os arrependimentos do passado devem ser sacudidos e deixados para trás."


Acredito que esta foi a lição mais profunda e bela que tirei deste livro.


Encerro por aqui com uma certeza quase absoluta de que muita coisa ficou de fora, mas espero que tenha transmitido amor o suficiente para te deixar nem que seja com um tiquinho e curiosidade.


"As correntes que me prendiam nunca vieram de fora. Estavam, o tempo todo, no meu interior."


Que vocês encontrem suas correntes e consigam se libertar!


Beijos!


Mata, ne? Annyeonghi gaseyo!!!


Kaká ❤️

 
 
 

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