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"(...) Geração após geração, a alma guarda memórias adormecidas em suas profundezas."

Konnichiwa! Annyeonghaseyo!


Como vocês estão?


Com o passar dos dias este blog vem se tornando uma espécie de diário meu e sinto que às vezes uso de mais sinceridade aqui até do que no meu próprio diário!!!


Este último livro, "A Lanterna das Memórias Perdidas", em especial, mexeu bastante comigo por abordar um tópico delicado: a morte. É uma história sensível e, ao mesmo tempo engraçada, que consegue tocar em diversas questões culturais, sem ser caricata. Porém, mesmo com toda a leveza, preciso avisar que este é um livro que pode despertar alguns gatilhos em quem tem sensibilidade ao tema.


Alerta: Possível Spoiler ao final do post!!!



"O que acontece aqui é um rito de passagem que nos proporciona a oportunidade de contemplar pela última vez nossa vida."


A autora, Hiiragi Sanaka, descreve um espaço entre a vida e a morte - uma espécie de limbo - sob a forma de um estúdio fotográfico. Pelo próprio Instagram dela, você já consegue entender de onde surgiu a ideia! Ela é claramente apaixonada por fotografias!


Enfim, seu personagem principal, Hirasaka, é descrito como um guia entre os dois mundos. Sua responsabilidade é a de criar um caledoscópio para as pessoas que morrem, composto de uma foto para cada ano que ela viveu. Após um ritual em que a pessoa assiste esses momentos girarem a seu redor, elas finalmente seguem em frente.


Para onde? Continuamos sem resposta.


Apesar da ausência de uma resposta definitiva, esbarramos com algumas dicas aqui e ali. A principal delas está na citação que escolhi para título, a ideia de que algumas memórias de outras vidas estão, na verdade, apenas adormecidas e aparecem de vez em quando ao nos depararmos com algo familiar.


Para a montagem do caleidoscópio, porém, Hirasaka leva seus... seriam clientes?... para um passeio no passado, onde podem reviver a lembrança que mais remoeram em vida, a ponto da foto se apagar.


"A vida é também uma jornada em que vamos abandonando recordações enquanto prosseguimos."


A primeira foto que Hirasaka ajuda a reconstruir é para a Professora Yagi Hatsue. Embora estivesse em um grau relativamente avançado de demência em vida, manipular as imagens de seu passado trouxe de volta muitos momentos emocionantes.


A parte mais feliz de sua vida, porém, foi coincidentemente a mais difícil: quando assumiu a responsabilidade pela escola de uma pequena cidade, onde não tinha sede, nem materiais e mal conseguia receber seu salário. A luta para conseguir um espaço adequado para a proteção das crianças e equipamentos básicos para brincadeiras e ensino, foi o que forjou o caráter da jovem em uma forte diretora.


A foto que escolhe parece determinar o momento de sua primeira vitória no papel.


"Na vida, não existem nem 'talvez' nem 'se'. O presente é feito dos resultados das escolhas que fiz nas encruzilhadas."


Confesso que tremi um pouco ao ler o início da segunda foto. O falecido não é ninguém mais que um membro da yakuza, Waniguchi, e conseguiu ser atravessado pelas costas por uma katana.


Apesar de ter levado uma vida claramente reprovável, o fato é que, através de sua escolha pela memória mais revisitada, chego à conclusão de que Waniguchi devia ser, no fundo, uma manteiga derretida.


Em sua incursão pelo passado, ao invés de buscar a memória de um roubo bem-sucedido ou de uma mulher que conquistou, ele volta para um momento de generosidade e demonstra respeito e cuidado com as pessoas mais vulneráveis.


É nessas horas que sinto que preciso de alguém pra conversar sobre os livros, tá vendo?


"É proibido mudar o destino, e, se o fizermos, teremos de responder por um crime grave."


Chegamos, enfim, à última memória! Yamada Mitsuru morre muito jovem, por circunstâncias violentas e revoltantes. Talvez seja a história que é mais passível de despertar algum gatilho em qualquer ser humano são.


Por mais que Hiiragi-sensei tenha usado muita sutileza na descrição da vida infeliz de Mitsuru, acho difícil continuar impassível diante de tamanha crueldade.


É neste momento, para mim, que Hirasaka brilha.


Durante toda a história, me encantei com seu carinho com cada alma que entrava, com a doçura com que tentava tornar a experiência o mais agradável possível, independente de julgamentos.


Mas, neste capítulo final, gostaria de fazer minhas as palavras de Yama, responsável pela entrega do relatório sobre a vida de cada falecido:


"Eu o terei sempre em minha memória. Como um herói que salvou uma criança de um destino inexorável."


Oops... Podemos dizer que este foi um spoiler?


Sobre a Autora


Quero deixar registrado aqui que estou nas nuvens com a Hiiragi-sensei!


Depois de invadir seu Instagram, enviei uma mensagem sobre a imagem de uma flor de cerejeira que retrata fielmente uma das fotografias de Mitsuru.



Nem esperava qualquer resposta, mas recebi, muito feliz:


"Muito obrigada, fico muito feliz que você tenha se lembrado das flores de cerejeira de Mitsuru. Estou escrevendo uma nova obra e sua mensagem me deu muita força ❤"


Mal posso esperar seu próximo romance! Espero muito que seja tão lindo e reconfortante quanto senti este.


Aaaah!!! Nossa próxima história também vai abordar o mundo do sobrenatural e as lembranças guardadas no coração de quem partiu dessa vida. Mas, desta vez, sob uma perspectiva coreana!


Ou quase... já que a personagem principal herda uma loja de doces... japoneses!


Prepare seu coração que já, já a gente embarca nessa aventura!


Jya, né? Annyeonghi gaseyo!


Kaká

 
 
 

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