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"Eu senti como se aquele livro tivesse aberto uma porta para mim."

Konnichiwa! Annyeonghaseyo!


Antes que vocês digam que é óbvio que vou gostar mais de um livro japonês por ser o meu idioma, já vou avisando que não é bem assim! Até admito que, na metade de "Meus Dias na Livraria Morisaki", tive um momento em que senti como se tivesse me perdido em um deserto, sem saber para onde ir.


Maaaaas, ao mesmo tempo, esse livro tem uma declaração de amor tão linda, tão linda, que até comprei o livro para dar de presente para a minha sobrinha por quem meu amor nasceu tal e qual no coração de Satoru-san!


Abra seu coração e experimente você também!


Enfim, bora começar?


"As memórias de amar alguém nunca desaparecem completamente do coração..."


Estou tirando essa citação totalmente do contexto, mas é que ela se encaixa perfeitamente para a explicação do relacionamento entre os personagens.


A principal da nossa história, a jovem Takako-chan, sofre um baque ao descobrir que o namorado com quem estava há mais de um ano decidiu se casar uma colega de trabalho deles com quem já estava junto há mais de três anos! Para piorar, emocionalmente exausta de lidar com o convívio diário com os dois, ela acaba explodindo e pedindo demissão.


Sem namorado, amigos ou emprego, ela se joga na cama e não levanta nunca mais...


Quem nunca?


A fim de tentar tirar a filha do aparente coma , a mãe a empacota para a livraria de seu tio Satoru em Jinbochô, um distrito muito antigo de Tóquio, conhecido pela maior concentração de livrarias e sebos do país, quiçá do mundo. Até mesmo escritores famosos da literatura japonesa como Mori Ôgai e Tanizaki Jun'ichiro escreveram histórias ambientadas no bairro, tamanha a paixão que desperta em quem curte literatura em geral.


Nesse carrossel da All About Japan dá pra ter uma ideia da riqueza literária do bairro:



No início do livro, senti Takako-chan com raiva de tudo, amarga e sem conseguir se conectar com ninguém a seu redor. Seus comentários sobre a mãe e o tio são azedos, cheios de mágoas que parecem infundadas e ela não tem um único ombro onde chorar.


Mas, conforme diz a citação, as memórias do amor nunca desaparecem e, aos poucos, ela vai encontrando um caminho de conexão com seu tio.


"Aqui é como um cais, onde você ancorou seu navio por um tempo, para descansar. Quando se sentir melhor, é só zarpar de novo."


Na primeira parte do livro, a história de Takako-chan se revira sobre este tema. Ela está descansando o coração, usando os livros para se curar e, através da proximidade com o tio, voltando a se permitir amar novamente.


Satoru parece ter uma visão clara de que essa presença é temporária, então, embora cheio de lágrimas, ele está preparado quando ela dá as costas e segue seu caminho.


Eu não estava! Era apenas a metade do livro!


Continuei lendo, me agarrando em minha revolta, e fui assim até quase o final.


Não vou dar spoilers, já disse, mas entendo que a segunda parte serve para concluir de fato um ciclo: no começo, Takako uma bênção, um cuidado; na segunda, temos o momento de retribuição, de gratidão. Talvez isso não faça muito sentido para nós, mas ficou marcado para mim como uma visão bem japonesa da vida. Não existe felicidade plena sem gratidão e retribuição.


"De vez em quando a gente tem que parar tudo e reavaliar. É como se fosse uma parada na longa viagem que é a vida."


Creio que esta foi uma das maiores lições que tirei desse livro.


Hoje, quando olho para alguns momentos na minha vida, percebo que pisei no acelerador cedo demais, achando que estava ficando para trás em uma corrida com outras pessoas ao meu redor. Temos essa ilusão de que há uma idade certa para cada coisa e esquecemos que cada pessoa possui um ritmo próprio, um relógio interno que regula cada etapa de nosso crescimento. Esse relógio não é igual para todos e não precisamos estar sincronizados o tempo todo com amigos ou familiares.


Na verdade, entendo que respeitar este nosso relógio é o fundamental para uma vida plena, feliz e sem arrependimentos.


A outra lição, a maior de todas, deixarei que encontrem no próprio livro! Mas, como sou manteiga derretida e não sei muito bem guardar segredos, vou contar só um pouquinho!


"Meu encontro com você, Takako-chan, foi como uma epifania."


Um dia, Takako-chan finalmente pergunta ao tio o que deu errado em seu casamento. Como todo homem japonês, ele sente dificuldade de abrir o coração e falar sobre seus sentimentos. Porém, dado à nova proximidade com a sobrinha - e um pouquinho de ajuda do álcool, eu acho - ele acaba contando à sobrinha o quanto ela foi importante para ele; o quanto sua vida mudou após olhar aquele bebezinho tão pequenino e adorável e ver quantas coisas lindas ela tinha para experimentar.


"Fiquei muito emocionado com o mistério da vida. Senti uma vaga determinação surgindo dentro de mim."


Não vou transcrever tudo porque quero que minha sobrinha leia essas palavras em primeira mão, mas espero que tenha conseguido despertar em você a vontade de descobrir que declaração de amor é essa e que as palavras de Satoru toquem o seu coração tanto quanto tocaram o meu!


"Ninguém nasce já sabendo o que quer da vida. A gente vai descobrindo o que quer à medida que vai vivendo."


Mais uma vez, Yagizawa Satoshi me atingiu em cheio com sua escrita! Demorei muito para descobrir o que gostava de fazer e, embora eu hoje olhe para aquela carta que escrevi para mim aos dez anos e me surpreenda sendo professora como previ, tive um longo caminho para percorrer até descobrir o que eu realmente amava ler e estudar.


Yagizawa e eu temos praticamente a mesma idade e curiosamente, ele nasceu em Chiba, onde morei enquanto estudava no Japão. Também compartilhamos alguns amores: violão, café e gatos! As coincidências, porém, param por aí!


"Meus Dias na Livraria Morisaki" foi seu romance de estreia e logo ganhou o Prémio Literário Chiyoda, uma adaptação para o cinema e acabou tornando-se um bestseller mundial! Sua continuação, "Uma noite na Livraria Morisaki" também seguiu o mesmo caminho. Dois novos romances estão sendo traduzidos para outros idiomas: "Jun Kissa Torinka" e "Kimi to Kuraseba".


Se bateu em você aquela curiosidade para ver o filme, pode clicar aqui para assistir!



Comenta aqui embaixo se quiser que eu já garanta o ingresso para a sequência, OK?


Aliás, só comenta! Quero muito sua opinião!


Jya, ne? Annyeonghi gaseyo!

 
 
 
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